A dor fica saltitando quando eu sofro. Como se pulasse dentro de mim. Às vezes em pulos baixinhos, sem sair de dentro, noutras vezes com fortes saltos que saem e tomam o mundo todo afora.
Quando a dor pula baixinho, ela pula pesadamente. É algo próximo a uma bigorna dando micro-pulinhos dentro do meu coração. Eu preciso deitar, para aguentar o peso dela. Agora estou deitada escrevendo com o notebook em cima da barriga. Pose clássica do século XXI. A pose dos novos tempos.
É, eu quis muito ser boa demais, mas esse é o pior erro. Mal nascer, já boa ser. Freud disse que toda criança é um cruel polimorfo. Sim, inocentemente cruéis, exceto os bobos. E de bobos e loucos o inferno é feito. Inferno não é lugar pra gente ruim não, é lugar para quem se fode! Sério mesmo!
Para sermos bons, bons de verdade, temos que saber ser maus primeiro. Na mesma lógica materialista dialética e histórica de Marx, que falava que o socialismo seria um passo seguinte à instauração do capitalismo e todas as suas mazelas. Temos que conhecer todos os podres da ruindade, para sermos bons. Só sendo ruim.
Ruim, eu digo, com os outros, com o mundo que te fizer mal. Sejamos bons conosco desde sempre! Mas bons com os outros? Só depois de saber ser ruim, porque quem não sabe ser ruim, não sabe se proteger e se cuidar. Aí é pau viola!
Vou no meu desiderato caminho torto às avessas, seguindo o fluxo do que se chega e diz 'Olá', sem tanta pretensão, mas necessariamente imediato ao instante que se passou.
Au revoir!
